sábado, 15 de outubro de 2011
Flores Secas
A distração não me alcança...
Ando pelas ruas atenta a tudo e a todos que me cercam, vejo menos, observo mais...
Respiro a fumaça alheia mesmo antes de tomar meu café...
Há muito silêncio aonde as palavras se misturam.
Observo as pessoas guardarem para si ou para uma oportunidade qualquer as poucas flores que colhem no seu dia-a-dia...
Guardam as flores e oferecem os espinhos...
Não há nuvens no céu, e o azul do infinito me devora.
Observo as pessoas e suas flores secas,...
Aborrecidas lamentando a falta do sorriso, esperando por dias melhores...
O que se pode perder quando não se tem nada?
E você...
O que há por trás do seu sorriso?
Ele é claro e ao mesmo tempo não me diz muita coisa, mas não vejo flores em suas mãos.
Já ofertou as flores ou nem mesmo as colheu?
Volto a pensar no que se pode perder quando não se tem nada.
Eu não sei.
Sempre tive mais do que acho que mereço.
Aperto nas mãos os espinhos que me ofertaram,
Observo as mãos vermelhas no silêncio devastador das palavras que se misturam em meio a multidão.
